quinta-feira, 16 de abril de 2009

Relação entre os ensinamentos de Paulo Freire e a questão dos Paradigmas na educação.

Em sua obra Pedagogia da Autonomia, Paulo Freire preocupou-se com educadores formados, em formação e educandos. Ele relata propostas de práticas pedagógicas que são imprescindíveis à construção da autonomia dos educandos.
Deixa claro que “formar” não é “informar”, não é transferir conhecimento, podemos observar nesse pensamento à preocupação dele em relação ao Paradigma Ontológico do saber e, que determina que o adulto detém o conhecimento, ensina uma criança, que irá te-lo como referência, modelo, e deverá segui-lo, absorvendo o conhecimento que ele tem como o correto, único e acabado.
Mostra a necessidade de segurança do conhecimento do educador para que tenha competência profissional, autoridade e liberdade no desenvolvimento de suas aulas. Afirma que a aprendizagem acontece em meio a indagações, questionamentos, interesse dos educandos, instigados pela dedicação, comprometimento, atuação efetiva e “afetiva” do educador e não pelo silêncio dos silenciados.

Esclarece que existe a necessidade de uma constante reflexão sobre a prática educativa, contudo, para que a reflexão seja crítica o educador deverá ser, indiscutivelmente inquieto em sua busca, pesquisar sempre, para constatar, intervir, educar e se educar. Essa busca nos mostra as quebras de Paradigmas que são necessárias pra se avançar como educador competente.

Propõe que o educador respeite os saberes do educando, ou seja, considere seu conhecimento prévio acerca do conteúdo a ser trabalhado, dos saberes socialmente adquiridos na prática comunitária; aproxime os conteúdos da realidade por ele vivida, oportunizando discussões, sugestionando resoluções dos problemas sociais que as comunidades carentes enfrentam e a desigualdade que as circundam. Nesta citação o autor nos lembra do Paradigma da Modernidade colocando-se totalmente contra esse Paradigma,
que considera o aluno uma folha em branco, que será preenchida com muita memorização e treino.

Conclui-se, que o autor esteve constantemente preocupado com as quebras de alguns Paradigmas que impedem os avanços da Educação, esclarecendo que o Paradigma da Neomodernidade seria o ideal para o Ensino de nossas crianças, porque neste Paradigma a escola passa a considerar o aluno em sua totalidade, preocupando-se com seu bem estar físico, emocional e social. Oferece um ambiente escolar acolhedor e estimulador para a aprendizagem do aluno. E o professor, perde o papel de “único” detentor do conhecimento, pois quem ensina, aprende ao ensinar e quem aprende, ensina ao aprender, enfatizando que os dois (educadores e educandos) caminham juntos no processo de construção da aprendizagem. Que o educador oportuniza ao educando sua própria produção de conhecimento, mediando o diálogo entre ensino – aprendizagem.

Afirma que um educador que se preocupa com sua capacitação profissional contínua e atuante, fará com que a curiosidade de sua clientela passe de ingenuidade do senso comum ao senso crítico, ou seja, à curiosidade epistemológica, repleta de criticidade e para que isso aconteça há a necessidade de se quebrar Paradigmas, de se abrir para o que existe de Novo em educação.

Paulo Freire afirma que aos educadores cabe a tarefa de conduzir o corpo discente em prol de uma sociedade mais justa e de valores igualitários, pois além de educar, estarão conscientizando e orientando futuros cidadãos, que lutarão por seus ideais, defenderão seus direitos, batalha essa que deverá ter fundamentação numa “pedagogia da autonomia .” Que “ensinar” exige humildade, tolerância, luta em defesa do educando, que valores como simplicidade, humanitarismo, esperança e bom senso fazem parte do processo educativo, ensinar também exige convicção de que a mudança é possível e a história deve ser vista como uma possibilidade e não determinação, que somos sujeitos e não objetos dessa história,conhecemos o mundo, somos parte dele, portanto somos agentes participativos e podemos transformá-lo.

Para tanto, ao assumir o compromisso de “educar” o professor o faça com ética, amor e alegria. Pois as mudanças e renovações da sociedade brasileira no futuro partirão das crianças que hoje educamos. Dos valores que a elas ensinamos.


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